quinta-feira, 8 de junho de 2023

 


Estou há dias tentando escrever algo sobre tudo o que a micropigmentação se tornou, sem me alongar muito, mas não vai ter jeito, o texto ficou longo e a quem interessar possa, que leia e interprete como quiser. De alguma forma isso vai ajudar você a entender pelo meu prisma, o que penso a respeito do futuro do nosso trabalho. Então, boa leitura. 



A Micropigmentação no Brasil vive hoje seu auge, seja no sentido técnico, comercial ou científico. Ganhou status de altíssimo luxo com toda a glamourização, ostentação e pompa a seu redor. Tudo rosa e dourado, jalecos de médico, coachings de "como lotar sua agenda" sem nem ao menos ter a própria agenda lotada.
Em contrapartida, nunca se ouviu falar antes de tanta tecnologia; dermógrafos dos mais variados tipos e valores, analógicos, digitais, computadorizados, alguns custando mais do que um carro popular; máquinas de tatuagem moderníssimas; indutores manuais para uso em procedimentos variados; diversos tipos e composições de agulhas, até então já utilizadas há anos pelos tatuadores e, finalmente, sendo utilizadas também pelos micropigmentadores, como por exemplo: RI, RS, RM, E, M1, etc. Algumas com extrema precisão no formato das pontas, extra long tapper, long tapper, médium tapper, etc.

Tudo isso era inimaginável a até poucos anos atrás. Tintas com formulações específicas, texturas, cores, misturas e bases variadas, indicadas para vários tipos de aplicações. Alta tecnologia até mesmo na fabricação das embalagens, que hoje vêm com lacres especiais que mantém a esterilidade do insumo, etc. Tudo isso aconteceu graças à globalização,excesso de informação, redes sociais pipocando com uma infinidade de vídeos e fotos. Tudo o que você precisa saber, ao alcance das suas mãos. 


Na vida tudo tem um lado positivo e negativo, dependendo sempre do prisma em que se olha, e também dos interesses envolvidos - GUARDE ESTA INFORMAÇÃO, ELA VAI SER IMPORTANTE LÁ NA FRENTE. 

Pessoas foram atraídas, algumas boas e outras nem tanto. Cresce, então, a concorrência que, ao meu ver, é extremamente saudável. É indispensável para manter a qualidade dos serviços, pois os profissionais se especializam cada vez mais, evoluem e superam os acomodados, e os acomodados têm que sair da sua zona de conforto, se especializarem e evoluírem também. Nesta roda que não para de girar, todos ganham, inclusive nossos clientes, consumidores finais de nossos serviços.


Com esta facilidade em obter informações, algumas clientes já chegam em nossos estúdios sabendo o que querem, e algumas sabendo o que é legal ou ilegal, proibido ou autorizado, conhecend inclusive, nomes de técnicas, e entendendo a diferença de cada uma delas. 

O comércio ficou muito feroz e a concorrência acirrada. A ganância ultrapassa todos os limites e o marketing é implacável e voraz. Propaganda, propaganda, vender, vender, e vender. Ahh, porque esta técnica é melhor, esta é mais moderna, esta agride menos, enfim. O marketing se expressa como um rolo compressor desgovernado morro abaixo; o dinheiro fala mais alto do que qualquer respeito à vida e à saúde dos outros. Muitos não se importam com o que vendem, pois o que importa é vender, vender muito, custe o que custar e doa a quem doer.

Do que este mercado implacável se alimenta? Dos novos e inexperientes profissionais e daqueles que já tem experiência, mas estão acomodados. Aqueles que veem profissionais postando nas redes sociais seus trabalhos maravilhosos e, no mesmo segundo, já perguntam: "Qual o pigmento?" "Qual o dermógrafo?". "Qual agulha?". "Você dá curso?"

Ao fazer este tipo de pergunta, este profissional ainda "inocente" já mostra que está receptivo para comprar o que for oferecido e acredita que se comprar o mesmo dermógrafo ou pigmento vai fazer aquele trabalho da mesma forma.

Esta é a deixa que é usada para quem quer oferecer o "faça fácil". E aí entra a frase "todo dia sai um trouxa e um esperto de casa". Lamentavelmente, durante a busca por um bom curso ou especialização, não se vê perguntas do tipo: "Qual a sua qualificação profissional?",  "Possui pelo menos 5 anos de trabalho direcionados a micropigmentação?". “Quantos atendimentos já fez ?”, "Possui uma escola montada com CNPJ e Alvará de Funcionamento que tenha uma estrutura física para fazer todo treinamento necessário?"

Ensinar não é só uma arte ou um processo pedagógico, é uma forma de passar conhecimento, vivência; e para fazer isto não basta apenas saber o que vai ou deve ensinar, mas ter suas próprias experiências. Este é o fator primordial para conseguir responder todas as dúvidas de quem quer aprender. Como se faz, de fato, um MENTOR, cujo todo mundo se auto denomina hoje em dia. MENTORIA X, MENTORIA Y, MENTORIA H. 

Então, como ensinar sem ter a experiência e a vivência necessárias ditadas pelo tempo e dedicação? Quem tem mais experiência, exatamente por isto, tem grande admiração pelos novos profissionais que vêm surgindo no mercado com trabalhos de tanta qualidade e beleza. Porém, não serão estes atributos que os tornarão professores capacitados.

Outras perguntas que deveriam ser feitas por quem procura uma especialização nesta área se refere ao domínio da colorimetria e estudos de casos pós cicatrização ao longo dos anos. Saber como esta tinta vai reagir mesmo após anos de aplicação na pele, eleva consideravelmente o nível profissional do micropigmentador. É nítida a facilidade de quem entende do riscado. É intuitivo para quem estudou, olhar um rosto, uma pele, mesmo que em fotografias e identificar quais cores são indicadas para cada técnica, seja sobrancelha, lábios ou delineado. É fundamental o estudo das tintas, pois estas serão implantadas dentro do corpo da cliente e se manterão em contato por muitos anos, em alguns casos, pelo RESTO da vida! A importância neste caso, é o fato de haver um contato tão íntimo e direto deste material com o corpo humano, que te faz ter que prever algumas intercorrências, como estas que cito abaixo. 


Fator 1 - Degradação da cor - ( para ser mais didática, vou usar o sinonimo da palavra DEGRADAR, que é DESTRUIR).

Então, neste caso, a destruição da cor, a qual me refiro, pode ser pelo tempo, pelo sol, por uma possível cicatriz.

Fator 2 - Esmaecimento - Ou seja, CLAREAR a cor ao longo do tempo. 

Fator 3 - Cor fantasia - Essa cor ao longo do tempo vai se transformando em outra. Aquela velha história de ir ficando a cor que tem mais potência. Se for verde, fica verde, se for laranja, fica laranja, se for cinza, fica cinza e assim sucessivamente. 


Entender a composição de cada pigmento, base veicular e todos os componentes da tinta que é o produto final, é de extrema importância e de interesse direto à saúde. E com base nessa premissa, você que se interessar por estudar, vai conseguir explicar, instruir e, para além disso, RESOLVER qualquer uma dessas possíveis intercorrências. 

Então vamos imaginar o cenário onde a cliente, depois 2..3 anos, chega triste e descontente ao seu ateliê com um trabalho seu no rosto e te pede ajuda com a remoção. Por muitas vezes isto aconteceu comigo e eu não soube como agir, hoje te digo, com conhecimento de causa, vivência e experiência que, quando uma cliente me pede ajuda para, de alguma maneira, "consertar" algo que eu fiz, mesmo que de forma inocente, eu ofereço 1 ou mais saídas, como por exemplo: back to brown = voltar para o marrom, no caso de cores fantasias. É a primeira coisa que ofereço se o problema for exclusivamente a cor e não formato e cor. Caso ela queira apenas REFORÇAR a cor, também consigo. Caso ela queira mudar o formato, também consigo, tanto com técnicas de clareamento de bordas, inícios, pontos altos e caudas, quanto com camuflagens e despigmentação. 

No próximo ano, 2024, completo 10 anos sendo micropigmentadora, 9 deles ensinando, estudando e sendo reconhecida nacionalmente pelo meu trabalho, pelos meus estudos e minha contribuição para elevar o nível da microgpimentação no Brasil, que, repito neste texto, não é elevar preços, mas sim, nível técnico, de estudos e análises de casos para que possamos cada vez mais minimizar as possibilidades de erros na execução das técnicas. 

Por isso, é imprescindível nos atentarmos ao fato de que existem leis sanitárias vigentes e que precisam ser respeitadas, tanto no que diz respeito aos materiais que usamos, a forma como os descartamos, a forma que atendemos as clientes e, para além disso, a maneira que nos portamos diante delas.
É comum hoje, vermos profissionais de cabelos soltos, sem máscara ou com máscara plástica, que é PROIBIDA pela ANVISA e feita para uso EXCLUSIVO na cozinha para evitar perdigotos nos alimentos, assim como as luvas de VINIL que não protegem NADA contra contaminação e TAMBÉM são proibidas para esta finalidade e basta uma rápida pesquisa e você descobre por quais motivos não deve usar nenhum destes dois.

O uso de jaleco bonitinho, impecável também é um completo e absoluto erro, pelo mesmo motivo. Utiliza-se o mesmo jaleco durante 1..2 semanas, talvez meses. Ao inves disso, opte por roupas leves e um jaleco descartável. É importante que você agregue todos estes CUSTOS ao valor do seu atendimento. Sua cliente vai entender lá na frente, o porque está pagando o seu preço. Isso sim, te elevará de nível e não um café com bordas de nutella ou desenhar uma simulação em um tablet. A cliente espera o resultado final, aquele que ela vê nas suas fotos do instagram, ela não se interessa pelo processo, tampouco pelo café com borda de nutella. Ela busca a beleza de forma rápida, eficaz, muitas vezes indolor, mas SEMPRE sem riscos! Entende onde quero chegar ? Nenhuma pessoa no mundo, vai te dar o aval de fazer as coisas "mal feitas" mesmo que sejam baratas. Você não vai ouvir de ninguém, absolutamente ninguém um "faz sem luvas mesmo",  quando você disser: - Não vou fazer suas sobrancelhas hoje, porque minhas luvas acabaram" 
E lamento em te informar que, caso isso aconteça e a pessoa ACEITE fazer mesmo assim, você chegou no pior nível, aquele onde o medíocre mora. 


Lembrando que o egocentrismo não nos permite nos colocarmos no lugar do outro, cuidado!
Existem alguns princípios básicos que eu, ao longo destes 10 anos, percebi serem fundamentais para desempenhar um bom papel na minha profissão de micropigmentadora. 

Começo, sem medo de errar, com a ética profissional, que eu prefiro chamar aqui, de HONESTIDADE. 


Em todas as vezes que eu optei por ser honesta, em nenhuma delas eu me arrependi, sempre que eu agi com ética e expliquei de forma detalhada para a cliente o que iria acontecer ou o que aconteceu, tive uma devolutiva positiva. Às vezes com um pedido de ajuda, no sentido de "Então Ana, o que posso fazer para resolver o meu problema", às vezes com um "Ana, obrigada por me dizer isso, já passei por X profissionais e ninguém me alertou dos riscos"
Esta foi a maneira que escolhi viver a minha vida profissional. 


Outra parte importante e foi a mais abordada neste texto, aliás, foi por isso que eu o escrevi, é o ESTUDO. 

Sem dúvida alguma foi o estudo que me libertou. SABER me faz sentir segurança para AGIR.

Tanto no que diz respeito aos procedimentos que executo ou as aulas e mentorias que dou. 

Nos momentos em que tenho dúvida, recorro aos livros, aos estudos científicos, muitas vezes em outros idiomas, para só depois explicar ou responder alguma dúvida de clientes ou alunas. 


Estudar me fez entender que eu sou a parte FUNDAMENTAL do processo. 

EU quem vou dominar a colorimetria. 

EU quem vou dominar a máquina, o indutor. 

Porque sou EU, quem vai treinar, treinar e treinar. 

Sou EU e somente EU a responsável por absolutamente TUDO o que vai acontecer, desde a hora que a cliente deita em minha maca, até a hora que ela sai. A partir do momento que ela sai, e só a partir DESTE momento ela se torna responsável pelos cuidados pós e nada mais. 

Não é honesto atribuir nenhuma intercorrência à cliente, se não foi culpa da cliente.
Ouço muitas desculpas, as mais diversas e esfarrapadas das alunas, em que elas relatam que a cliente foi culpada por fios falharem, por fazer cascas grossas, por clarear rápido demais e tantas outras. 

Porém, a autocrítica fica fora do jogo, completamente fora do jogo. É muito duro, (eu sei, eu já estive neste lugar) admitir que erramos. E sabemos quando erramos. 

Se fez uma casca muito grossa, machucou! E como machucou ? Injúria demais! Ou seja ? Muitas passadas de dermógrafo ou tebori. 

Ahh, mas ficou cinza, a cliente foi no sol demais. Será ? Será mesmo que não foi você quem errou na escolha do orgânico ou inorgânico, na escolha do indutor ? do número de agulhas ou pesou a mão? 


Sempre que você cair neste limbo de pensar se foi culpa sua ou do pigmento, do dermógrafo, do tebori. 

Lembre-se que, dos 3, você é o ser pensante, você quem produz raciocínio lógico, você é o inteligente no frigir dos ovos, a culpa é sua e não do pigmento que foi ESCOLHIDO por você, nem do dermógrafo que VOCÊ comprou.

Canso de receber as mais diversas reclamações de alunas que não obtiveram resultados positivos e depositam toda a culpa nos suprimentos, ao invés de nelas mesmas. Porque é infinitamente mais fácil, porque, repito, a autocrítica é difícil e rara, mas quando acontece acordamos para uma realidade onde o que vale é o treino e a dedicação. A constância é o que vai te levar ao êxito e a conta não fecha se não houver empenho pessoal e intransferível, o que significa que, só VOCÊ pode fazer por você, só você é capaz de evoluir e tão somente você será responsável por colher os frutos desta caminhada. Agora, a escolha é sua, se eles serão bons frutos ou não. 

Espero mesmo que você consiga entender o quão incrível é esta jornada, desde que você a faça de forma ilibada. 


Te desejo sorte nas suas escolhas, te desejo leveza para estudar, te desejo tempo para se dedicar, mas para além disso tudo, desejo que você siga seus objetivos, sejam eles quais forem. Você pode tudo, porque você é CAPAZ!


Com amor, Ana. 


domingo, 21 de julho de 2019

Qual o segredo para atrair clientes?

Há muito tempo trabalho com pessoas diretamente. São quase 10 anos sendo prestadora de serviço na área da beleza. Como a maioria de vocês que me acompanha já sabe, eu fui manicure, maquiadora, depiladora e hoje vivo de sobrancelhas. Nestes anos todos consegui identificar a única coisa que me traz clientes de maneira orgânica, ou seja, sem pressão de promoções ou propagandas. AFETO!
Sim, isso mesmo, você leu certo: AFETO me trouxe todas as clientes fiéis que tenho hoje.
Afeto me trouxe as alunas mais maravilhosas que eu poderia pensar em ter. Afeto me alimenta o corpo, a alma e a mente. Mas Ana, como assim, do que você está falando? Seja mais clara, por favor!
Serei!

A partir do momento que você começar a tratar as suas clientes com carinho, respeito, mas acima de tudo, INTERESSE, as coisas vão caminhar, acredite! Ninguém quer ser apenas “mais um cliente”.
Elas querem ser importantes, ou pelo menos se sentirem importantes. Quando isso acontece você a conquista, é certeiro!
Foi só a partir do momento em que percebi isso e coloquei em prática nos meus atendimentos que as coisas passaram a funcionar e mais, a fazer sentido de verdade pra mim!
Se interesse pela vida desta pessoa, pelo seu passado, pelo seu presente, pelo seu futuro.
De que maneira? Conversando, sabendo das coisas que ela já fez na vida, nas coisas que ela faz e no que ela pensa pro futuro. Entenda o que você pode acrescentar na vida dela. Vou dar um exemplo prático.

Cliente vai a primeira vez até você, design de sobrancelhas simples. Ela senta, você atende, ela paga e vai embora.

Olha a oportunidade aí, de saber idade, se ela tem filhos, se trabalha em alguma empresa, onde tem mais mulheres, enfim...
É legal ir conversando, sabendo por exemplo se ela gosta de se maquiar, se costumar fazer escova, coisas que seu espaço ou você ofereçam.
Pergunte coisas das quais você consiga tirar informações boas para o relacionamento profissional de vocês, nada de perguntas muito intimas, isso, aos poucos, vai ficando comum.
Demonstre interesse, empatia, mostre seu trabalho da melhor maneira e construa uma relação.
Faça um mini cadastro, seja no computador ou em uma ficha, com um pouco sobre ela, idade, endereço, data do aniversário, cor de cabelo, como ela gosta de ser chamada e finalize o atendimento.
Em pouco tempo, caso ela não volte, ligue e pergunte se aconteceu alguma coisa, se ela não se sentiu bem com o atendimento. Acredite, mesmo temendo a resposta, é com ela que você vai conseguir identificar as suas falhas e poder consertá-las, entende?
Se ela responder algo como: Eu adorei o atendimento, mas não consigo ir sempre, pois é caro pra mim, foge do meu orçamento. Tente dizer a ela que você faz um desconto ou fecha um pacote mais em conta, enfim, dê uma solução ao problema dela.
Se a resposta for algo relacionado ao atendimento, também é hora de aproveitar e ajustar.
Talvez não seja você, seja alguém que trabalhe junto, sua secretária, assistente, manicure, enfim...
Dê voz á cliente, escute-a, mostre a mudança e ela notará que você realmente se importou, pois ajustou e colocou em prática o que ela criticou.
Em pouco tempo você terá credibilidade o suficiente e uma clientela fiel, acredite!!!

Afeto é fundamental para boas relações, afinal, só confiamos em quem gostamos de fato.

Um beijo, espero ter ajudado!

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Instagram: @anatebori
Facebook: Ana Souza Escola de Beleza. 

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Oi, senta aqui... vamos conversar!

Oi, como vai? Vamos conversar um pouco? Quero falar umas coisas pra você que está começando agora...
Sabe, eu já estive aí no seu lugar, cheia de medos, pensamentos e dúvidas. Eu já pensei em desistir algumas vezes, já ouvi coisas que me fizeram repensar, mas fui mais forte e sei que você também é.

Quero te contar algumas coisas pelas quais você provavelmente vai passar ou esteja passando e saiba, está tudo bem, ainda não é o fim.

Eu tinha 17 anos quando comecei, fazia unha, depilava e dava umas "enganadas"na maquiagem.
Nunca me interessei por sobrancelhas, porque achava arriscado demais mexer em algo que demoraria a crescer ou que talvez não crescesse nunca mais. Mas aos poucos fui cedendo ao desejo e pedidos das clientes e então comecei apenas a "tirar"com pinça e aparar com aquelas maquininhas do Paraguay, nada muito profissional, por isso cobrava R$5,00. Isso mesmo, você não leu errado, eu cobrava R$5,00 reais. Eu tinha medo de aplicar henna, eu não sabia e sempre tive uma coisa em mente que você também deve ter "se eu não sei, não vou fazer". Até que um dia resolvi ver um vídeo no Youtube e acabei vendo 12, isso mesmo, 12 vídeos. Em um deles a moça testava no braço e assim eu fiz, 4 sobrancelhas no braço direito (eles ainda não tinham tantas tatuagens).
Eu tinha 1 cor só de henna, o castanho escuro, nos vídeos ensinava ZERO colorimetria, ZERO vezes zero, o que elas faziam era passar "misturinhas"mágicas. Não falavam de fixação na pele, sobre peles serem oleosas, acneicas, enfim, era tudo meio "achômetro", mas eu confiei e comecei a oferecer o serviço por R$15,00. Um tempo passou e sobrancelhas viraram o meu "carro-chefe"me fazendo optar por ficar apenas com este serviço, abrindo mão de fazer unhas. Havia dia que eu atendia 20 clientes e aquilo não me cansava, porque eu achava incrível.
Fiz meu primeiro curso de micropigmentação com dermógrafo em setembro de 2013.
Eu achei incrível, apesar de só depois entender que não se tratava de um curso, mas sim de alguém que achava que conseguia ensinar, passando apenas o que fazia e não o que havia estudado para fazer. Não houve uma apostila, um respaldo, nada e eu sai do curso e me deparei num mar de dúvidas, num barquinho muito pequeno, em meio a tempestade de dividas que tinha contraído para fazer o curso.
Comprei o curso, dermógrafo, agulhas, pigmentos e não atendi uma só cliente. Isso mesmo, você deve estar neste mesmo barco, acertei? Pois é! Mas eu não desisti, eu coloquei na minha mente que eu ia conseguir e não parei de buscar conhecimento. Eu passava noites lendo, mas sabe como? Eu não tinha um iphone X max de ultima geração como hoje (fruto do meu trabalho) com acesso a internet 4G. Eu tinha um nokia, que só tirava fotos. Eu aproveitava a noite para estudar no computador do meu ex-marido, enquanto ele não usava para fazer as coisas dele. Eu separava os vídeos e coisas que queria ler e ia anotando para por em prática.
Fiz minha primeira microblading na minha mãe, depois de ver muuuitos vídeos no Youtube e não ter base alguma de pressão, não saber que poderia anestesiar e MUITO menos as cores que usaria.
Eu misturei o que aprendi no curso de dermógrafo e meti bala. Ficou bom? Claro que não. Ela sofreu, chorou, os fios ficaram horríveis, com uma cor esquisita e nada pegou depois de um tempo.
Fiz um curso com uma pessoa da minha cidade, que ensinava tebori de uma forma que hoje vejo que era totalmente errada, mas que me deu um norte, uma base. Com este curso comecei a usar Iron Works, mas como não sabia NADA de colorimetria, eu acertava nos fios, na marcação, mas errava na cor, na fixação. Na verdade hoje vendo e revendo fotos do passado, nada era lindo, mas eu gostava de um modo geral e por isso não desisti, eu via que levava jeito pra coisa e que bastava eu me dedicar.
Atendi durante um tempo e cobrava R$150,00, depois passei pra R$200,00 e depois R$250,00.
Eu nunca fui de guardar dinheiro, mas comecei, de pouco em pouco a guardar.

Eu me lembro como se fosse hoje, abri um site e nele tinha um anuncio de um curso com uma Russa que chama Sena Damnjanovic (@sena_damnjonovic_starbrows). Ele custava R$4.500,00 e seria realizado em Campinas (eu moro em Maringá).
Conversei com minha irmã e analisamos a possibilidade de eu ir até ela para fazer este curso, afinal eu queria começar com o melhor. E pra mim, os russos estão no topo. Sena é cria da PHIbrows, desmembrou-se deles e criou a Starbrows.
Fui para Campinas, fiz o curso, absorvi tudo e mais um pouco e ainda ganhei minhas sobrancelhas de presente dela, porque fui a mais palhaça do grupo.
Eu voltei tão, mas tão orgulhosa de mim, de ter conseguido. Naquela época não tinha stories e o facebook bombava mais que o instagram, ninguém sabia usar direito. Lembro de ter feito textão no facebook e postado as fotos lá. Volta e meia ele me lembra deste dia, inclusive.

Quando voltei, comecei imediatamente a colocar tudo em prática e a utilizar os pigmentos dados no curso, orgânicos, glicerinados, perfeitos para execução da técnica. Com tudo o que aprendi, ganhei mais clientes e mais alunas e mais dinheiro. Investi em mais outros 10 cursos ao longo destes 5 anos.
Workshops, feiras de estética, conteúdo online, livros. Eu amo estudar.
Me tornei especialista em colorimetria e sei exatamente como criar o castanho para cada cliente. Sei de onde nascem as cores, como elas são criadas, de onde elas vem, como vão reagir e como ficam quando misturadas.
Eu tenho uma bagagem imensa de conhecimento. Mas te digo, ninguém me pegou pela mão e me levou, me sentou e enfiou na minha cabeça. Eu fui lá, me dediquei, anotei, grifei, memorizei, botei em prática e obtive resultados.
Ninguém fez por mim, eu fiz! E ninguém pode fazer por você, a não ser você!

Para de achar que existe receita, porque não existe. É como emagrecer, é um combo de exercícios e boa alimentação, não tem mágica.
Para de se vitimizar, dizer que não tem dinheiro pra isso, não tem dinheiro para aquilo, não pode investir agora, vai procurar um "mais barato".
Estava conversando com um amiga maquiadora e o raciocinio é lógico e óbvio e você vai concordar com a gente.

Ela maquia com QUALQUER base, seja da mais baratinha até as mais caras. Mas hoje, com o conhecimento e investimento na carreira, se dá ao luxo de maquiar com Dior, por exemplo.

Ai uma pessoa vai no instagram dela é ACREDITA que SOMENTE porque ela maquiou usando DIOR, o efeito foi aquele. A pessoa não considera diversos fatores, como por exemplo: a maneira correta de aplicar o produto, selar a base, fazer contorno, iluminação, fotografar de forma correta.
Enfim, a pessoa atribui APENAS ao produto TODO O resto. E acha que comprando a MESMA base, vai conseguir o MESMO efeito.
A base chega, a pessoa usa e PÁ! Ué, não ficou igual ao da maquiadora que eu seguia? PORQUE ?
Simples, porque você não sabe usar o produto, você achou que o produto ia fazer tudo sozinho?

Com os micropigmentadores acontece a MESMA coisa.
Fulano usa pigmento X, nossssaaaa, perfeito o trabalho dela. Vou comprar!

Poxaaaa, mas o meu não ficou igual, que droga, porque?

Respondo: Fulano sabia a LAMINA correta, a PRESSÃO, correta, a forma CORRETA de indicar o cuidado, o PIGMENTO correto, resumindo, ele SABIA como fazer, não era só o pigmento, era conjunto.

PARA COM ESSA MANIA DE ACHAR QUE AS PESSOAS NÃO SÃO BOAS O SUFICIENTE PARA TE ENSINAREM ALGO QUE VOCÊ NÃO SABE.
Tenha HUMILDADE em admitir que você precisa APRENDER de forma correta e que isso demanda INVESTIMENTO.

E não, por R$1000,00 NENHUM curso vai te preparar para o mercado de trabalho.
Não estou falando só por mim, não seja tola, eu estudo o mercado, meus concorrentes, meu público e não tenho um pingo de medo do que vão pensar, porque eu cheguei até aqui com uma carreira sólida e todas, absolutamente todas as minhas alunas e meus alunos sabem da minha índole, do meu jeito sargento mas que é para o bem deles, pois do meu curso eles saem SABENDO fazer e quando não, é porque eles não aproveitaram, não seguiram adiante, não se dedicaram e infelizmente não sabe a mim esse papel de babá, mas sim o de incentivadora constante. Pois quando pegam o meu certificado eu digo, continuem estudando, buscando e TODA VEZ que sobrar um pouquinho, invista em cursos, novas técnicas, novos ares.

O que eu quero com este texto é de uma vez por todas acabar com este pensamento mesquinho de gente que acha que colocar preço no trabalho dos outros faz algum sentido, porque não faz! Cada um sabe onde o calo aperta, onde os custos estão e se eu cobro X no meu curso é porque eu sei que vale e se fa FULANA cobra Y é problema dela.
Se cobra caro e não da curso bom, quem vai cobrar é Deus, as contas são acertadas aqui mesmo na terra, porque ela gira e se você planta laranja meu amor, vai colher laranja. Entendeu?
Não adianta tentar levar vantagem hoje, uma hora a casa cai e as pessoas vão perceber que foram enganadas.

Enfim, espero que eu tenha passado a mensagem!

Um beijo, obrigada!










terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Alô Alô, sobrancelhas a R$100,00 (FAIL)

Você já viu alguma placa, outdoor ou publicação assim?

ATENÇÃO, PROMOÇÃO, SÓ ESTE MÊS, IMPLANTE DE SILICONE POR APENAS R$5.000,00?
LEVANDO MAIS UMA AMIGA, SAI POR R$4000,00 CADA?

Ou então uma assim:  PROMOÇÃO RELÂMPAGO CANAL DE 1 DENTE R$50,00 2 DENTES R$90,00?

Não, né? E sabe porque? Porque é anti ético e os órgãos que regulamentam essas profissões (médicos e dentistas) proíbem veementemente este tipo de propaganda, assim como a OAB proíbe os advogados e tantos outros seguimentos e eu vou explicar o porque tomo para nós, profissionais da micropigmentação a mesma postura.

Antes, leiam o que os médicos PODEM ou NÃO fazer.

  1. Usar expressões tais como “o melhor”, “o mais eficiente”, “o único capacitado”, “resultado garantido” ou outras com o mesmo sentido;
  2. Sugerir que o serviço médico ou o médico citado é o único capaz de proporcionar o tratamento para o problema de saúde;
  3. Garantir resultados a pacientes e seus familiares;
  4. Apresentar nome, imagem e/ou voz de pessoa leiga em medicina, cujas características sejam facilmente reconhecidas pelo público em razão de sua celebridade, afirmando ou sugerindo que ela utiliza os serviços do médico ou do estabelecimento de saúde ou recomendando seu uso;
  5. Sugerir diagnósticos ou tratamentos de forma genérica, sem realizar consulta clínica individualizada e com base em parâmetros da ética médica e profissional;
  6. Usar linguagem direta ou indireta relacionando a realização de consulta ou de tratamento à melhora do desempenho físico, intelectual, emocional, sexual ou à beleza de uma pessoa;
  7. Apresentar de forma abusiva, enganosa ou assustadora representações visuais das alterações do corpo humano causadas por doenças ou lesões; todo uso de imagem deve enfatizar apenas a assistência;
  8. Incluir mensagens, símbolos e imagens de qualquer natureza dirigidas a crianças ou adolescentes, conforme classificação do Estatuto da Criança e do Adolescente;
  9. Fazer uso de peças de propaganda e/ou publicidade médica – independentemente da mídia utilizada para sua veiculação – nas quais se apresentem designações, símbolos, figuras, desenhos, imagens, slogans e quaisquer argumentos que sugiram garantia de resultados e percepção de êxito/sucesso pessoal do paciente atreladas ao uso dos serviços de determinado médico ou unidade de saúde;
  10. Fazer afirmações e citações ou exibir tabelas e ilustrações relacionadas a informações científicas que não tenham sido extraídas ou baseadas em estudos clínicos, veiculados em publicações científicas, preferencialmente com níveis de evidência I ou II;
  11. Utilizar gráficos, quadros, tabelas e ilustrações para transmitir informações que não estejam assim representadas nos estudos científicos e não expressem com rigor sua veracidade;
  12. Adotar gráficos, tabelas e ilustrações que não sejam verdadeiros, exatos, completos, não tendenciosos, e apresentá-los de forma a possibilitar o erro ou confusão ou induzir ao autodiagnóstico ou à auto prescrição;
  13. Anunciar especialidades para as quais não possui título certificado ou informar posse de equipamentos, conhecimentos, técnicas ou procedimentos terapêuticos que induzam à percepção de diferenciação;
  14. Divulgar preços de procedimentos, modalidades aceitas de pagamento/parcelamento ou eventuais concessões de descontos como forma de estabelecer diferencial na qualidade dos serviços;
  15. Não declarar possível conflito de interesse ao se apresentar como palestrante/expositor em quaisquer eventos (simpósios, congressos, reuniões, conferências e assemelhados, públicos ou privados), sendo obrigatório explicitar o recebimento de patrocínios/subvenções de empresas ou governos, sejam parciais ou totais;
  16. Não informar potencial conflito de interesses aos organizadores dos congressos, com a devida indicação na programação oficial do evento e no início de sua palestra, bem como nos anais, quando estes existirem, no caso de médicos palestrantes de qualquer sessão científica que estabeleçam relações com laboratórios farmacêuticos ou tenham qualquer outro interesse financeiro ou comercial;
  17. Participar de campanha social sem ter como único objetivo informar ações de responsabilidade social do profissional ou do estabelecimento de saúde, não podendo haver menção a especialidades ou outras características próprias dos serviços pelos quais são conhecidos;
  18. Fazer referência a ações ou campanhas de responsabilidade sociais às quais estão vinculados ou são apoiadores em peças de propaganda ou publicidade de médicos ou estabelecimentos de saúde.

Deu pra entender a diferença em anunciar um pedaço de carne em um supermercado e um procedimento de saúde, estético ou um serviço de advogado? Não? Vou ser mais clara. 

Vamos dar o exemplo de uma coca-cola, no supermercado A ela tem o custo de 40 centavos e ele revende a R$2,00. Anuncia este preço e aí vem o supermercado B, que paga 30 centavos e coloca a MESMA coca-cola a R$1,95. A diferença aí, está APENAS na quantidade de lucro que cada uma vai receber pelo MESMO produto anunciado, pois cada supermercado negociou com o fornecedor de uma forma e isto gera a concorrência. 
No caso de uma cirurgia plástica o PRODUTO em questão é a COMPETÊNCIA do profissional, tempo de experiência, estudo, enfim, não é algo que deva ser barganhado, entendeu? Não da para pechinchar a bagagem de conhecimento de um médico, advogado e claro, de nós, micropigmentadores.
Observem o item 14, nele é possível observar exatamente o que ilustro para vocês, É EXPRESSAMENTE PROIBIDO
  1. Divulgar preços de procedimentos, modalidades aceitas de pagamento/parcelamento ou eventuais concessões de descontos como forma de estabelecer diferencial na qualidade dos serviços. 
Ou seja, o paciente/cliente, tem que ter critério próprio de escolha, por isso uma consulta se faz necessária, é nela que haverá entendimento entre ambos, empatia e assim o paciente/cliente, decidirá o melhor para ele. 

Por isso enfatizo tanto em meus cursos a necessidade de uma avaliação, um atendimento personalizado, pois assim você consegue PRENDER a cliente e dificilmente após esta "consulta", marcará com outra pessoa, que não seja você. 
É neste primeiro contato que você mostrará a ela o seu profissionalismo, seu diferencial. 
Imagine se você colocar uma TABELA em seu Instagram, facebook ou site, com TODOS OS seus preços. 
Primeiro, sua concorrência vai agir imediatamente, segundo, a cliente NEM SEQUER conhecerá o seu espaço, verá o seu carinho com o atendimento, enfim, ela dificilmente entrará em contato e saberá o seu VALOR, porque o PREÇO já está estampado em todos os cantos. 

Mas agora imagine se ela entrar em contato e só de você ser simpática ao telefone, WhatsApp, marcar uma avaliação, recebe-la com carinho, atenção, respondendo todas as dúvidas dela e oferecendo o seu melhor, mesmo que ela vá a outro profissional, sua parte você fez, mostrou a que veio e o porque está onde está, entendeu? 

Mas veja bem, não estou dizendo para que você não revele o seu preço quando questionada, e sim para que você não anuncie em propagandas, como promoções e barganhas, entendeu? 

Se a cliente te ligar, mandar mensagem, obviamente você poderá responder, não vejo problemas e seria até uma falta de educação da sua parte. 



Mas Ana, qual a melhor maneira de atrair meu cliente, então? 

Mostrando o seu trabalho, sua competência, seus resultados, dando canais de atendimento rápidos e eficazes, como links de whastapp e telefones em que você ou alguém responderá rapidamente. 
No primeiro atendimento já "amarrar"esta cliente, agendando uma avaliação e levando ela até você, pois como disse lá em cima, assim que ela entrar em seu estabelecimento, não sai mais, pois você mostrará a ela o seu VALOR, repito, e não seu PREÇO. 

Ficou claro? 
Espero que sim! Beijo, até a próxima!











segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Ser ou não ser (profissional) ? eis a questão!

Sempre que uma de minhas alunas me questionam algo relacionado a maneira profissional, seja de vestir, conversar ou até mesmo no modo que devem divulgar o trabalho, peço a elas que se assemelhem a uma dentista ou médica.

Sim! Nossa profissão é muito parecida com estas e eu vou explicar o porque penso assim.

Para isso, vou pontuar alguns tópicos e vocês, após lerem, hão de concordar comigo. 


Você, quando marcou aquela consulta com sua ginecologista, ela te atendeu no consultório, numa mesa linda, cheia de quadros da família, com um computador, receituário e caneta. Ao fundo, na parede, os certificados orgulhosamente pendurados, não é mesmo? Ao lado, uma pequena biblioteca, com vários livros, onde, volta e meia ela consulta algum artigo para tirar alguma dúvida. 

Você senta, conversa um pouco com ela e logo ela te pede para vestir um jaleco e deitar na maca. 
Enquanto você se troca, ela também se paramenta com jaleco, luvas, touca e máscara. 
Ela puxa um lençol de papel, descartável e forra a maca, você deita, ela te examina. 
Vocês conversam um pouco, o exame termina, ela tira as luvas, o jaleco, a touca, lava as mãos e te espera de volta á mesa. Faz a receita, passa as recomendações e você vai embora.
Normalmente um retorno após 30 dias é agendado para analisar o resultado dos exames feitos.



Observe atentamente o atendimento que descrevi e o transfira para a sua realidade. 
Você pode PERFEITAMENTE fazer o mesmo. Sim! Um atendimento de ALTA PERFORMANCE. 
Você pode ter uma mesinha, não precisa do computador, mas sua agenda deve estar nela. Atrás de você, orgulhosamente exiba seus certificados, suas conquistas, seus méritos. Ao seu lado, coloque seus livros, apostilas, anotações para que você as consulte quando achar necessário. 

Ao atender a sua cliente, entreviste-a SEMPRE antes, saiba da sua vida, sua rotina, sua saúde, seus planos futuros relacionados a estética (cirurgias, botox, procedimentos no rosto no geral). 
Ao deitar ela em sua maca, coloque um lençol descartável, toucas, jaleco, máscara e luvas. Faça questão que tudo esteja impecavelmente limpo e organizado, mostre isso a ela. 

Ao final do atendimento, descarte tudo na frente de sua cliente, higienize suas mãos e oriente-a quanto a forma de cuidado com as sobrancelhas e agende o retoque. 

Pronto! Atendimento finalizado!

Tá vendo? Não é tudo igual ? Do começo ao fim? 


Agora te convido a uma outra reflexão. 
Aqui em Maringá, por exemplo, uma ginecologista “boa” (ou seja, bem recomendada pelos outros, de boa reputação), cobra em média R$280,00 reais em uma consulta, caso haja o exame preventivo junto, o valor pode dobrar. 

Este é o VALOR agregado á experiência que vivemos nesses 40 minutos que passamos com a médica. Ai você muitas vezes pensa R$280,00 reais apenas para CONVERSAR comigo. Quando você lembra quanta gente havia na recepção esperando atendimento, faz uma conta rápida na mente e chega á conclusão: “caramba, ela ganha X por dia, tá rica”. 

Mas você consegue se atentar ao detalhe da quantidade de tempo que esta médica estudou para conseguir atender tantos pacientes em apenas um dia? 
Consegue agregar o valor que ela cobra, ao tamanho do seu conhecimento, aliados a ética (que vamos abordar no próximo post), respeito e carinho no atendimento? 
Se você levar em consideração todos esses detalhes, lembrará que sim, valeu a pena pagar o preço. 

Todas as vezes que você tiver em dúvida de como agir profissionalmente, lembre-se da sua ginecologista. 
Lembre-se que ela não te atende de shortinho, blusinha regata e havaianas. 
Lembre-se que ela não te atende de cabelo solto, sem máscara e mascando chiclete. 
Lembre-se que ela preza pela higiene, conforto e respeito. 
Lembre-se também que ela não faz FIADO. 
Consulta médica não se paga AMANHÃ. 


Espero ter ajudado, se serviu para você este post, deixa aqui seu comentário. Beijo. Obrigada 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Deu errado, e agora?

Muitas são as dúvidas do que fazer quando uma micropigmentação da errado.

Hoje vamos falar de casos de erro da cor.
Sobrancelhas que ficaram azuis, verdes, cinzas, laranjas, vermelhas, enfim, com cores "fantasia".

As sobrancelhas são fundamentais na harmonia do rosto e com a evolução do mundo da estética, há no mercado uma série de pomadas, sombras, lápis e tantos outros subterfúgios que podem ser usados para corrigir as sobrancelhas. Mas cada vez mais as pessoas tem optado pela micropigmentação para um resultado com uma maior durabilidade, devido a sua similaridade com a "tatuagem" e por isso elas acreditam ser a forma mais duraroura e “barata” de ter sobrancelhas sempre alinhadas.

É quase que uma regra: Cliente começa a usar lápis, depois henna ou tintura e por fim, acaba recorrendo a micropigmentação, esperando que suas sobrancelhas fiquem perfeitas, o que nem sempre acontece, afinal é muito comum encontrar pessoas insatisfeitas com suas sobrancelhas micropigmentadas.
Além da frustração emocional do cliente, um procedimento mal feito pode destruir a carreira profissional de um micropigmentador.

Por isso é importante dominar a técnica, aprender a fundo, saber de onde nascem as cores, como elas são criadas, como refletem na pele após implantadas e como são eliminadas ao longo do processo de cicatrização. É preciso muito conhecimento antes de executar um procedimento de micropigmentação nas sobrancelhas. Ou seja, não adianta, é preciso ESTUDAR.

Devemos saber algumas coisas básicas que muitos cursos não ensinam, por pura falta de conhecimento, otimização do tempo ou charlatanismo mesmo.

Regra número 1: TINTA NÃO CLAREIA TINTA.

Como assim Ana? Do que você está falando?
Calma! Eu explico!

Cliente chegou no seu atliê, pediu aquela sobrancelha "pretinha, marcadinha" (ouço tanto essa frase, que poderia fazer um quadro e pendurar na parede da minha sala de atendimento).

É preciso saber que se você fizer o que ela quer, depois não tem como "voltar atrás"
Na colorimetria como um todo, existe uma regra, aliás, uma LEI: Tinta não clareia tinta, ou seja, não adianta fazer as sobrancelhas no preto e quando ela voltar pro retoque, você querer aplicar castanho claro. Não vai clarear, aliás, vai piorar a situação.
Pigmento em cima de pigmento, um compactando (abaixando) o outro e tudo vira uma meleca bem grandona, ficando cada vez pior, inclusive para um possível retrocesso, seja ele feito no laser ou ácido. (assunto que vamos abordar no próximos post).


Não caia na cilada da: cliente tem sempre razão.
Não! nem sempre!
As sobrancelhas vão ficar no rosto dela, certo! Mas o profissional capacitado para deixar isso harmônico, é você. Então cabe a você e só VOCÊ, a escolha da cor correta, querendo ela ou não a tão sonhada sobrancelha "pretinha, marcadinha".

Opte sempre por POTENCIALIZAR no retoque e nunca RETROCEDER no retoque, deu pra entender a diferença? Vou ser mais clara!

Faça sempre uma cor muito próxima ao pelo para que ela clareie e no retoque, se preciso for, você escureça, pois o contrário não vai dar pra fazer.
Como expliquei acima, não será possível clarear um procedimento usando tinta, apenas com ação de laser ou ácido  - esqueça o jato de plasma - 

É preciso analisar uma série de fatores, entre eles:
1 Cor do pelo original das sobrancelhas (não do cabelo).
2 Cliente tem pelo grosso, proeminente? (saltado, pra frente).
3 Cliente é vaidosa, usa as sobrancelhas marcadas com frequência ou não passa nada, usa natural?
4 pigmento clareará até 50% da cor aplicada no dia, isso varia muito de pele pra pele, mas devemos considerar sempre o maior índice de perda desta tinta.

Tendo essas informações em mãos devemos escolher a cor que mais se aproxima  dos pelos originais.
 Se for só fio a fio, deveremos escolher a quantidade e a espessura para um preenchimento mais natural. Se formos fazer algum tipo de preenchimento, devemos considerar os pontos onde serão aplicados para que não fique com aspecto "falso". 

Não adianta passar as cores na testa da cliente e pedir que ela escolha, nem mostrar os vidrinhos com as cores, nem passar no braço dela, nem nada disso.
Estude, saiba o que está fazendo, entenda o processo de cicatrização, entenda o seu método de implantação - Dermógrafo ou Tebori, entenda como esta pele reagirá, faça relatórios dessas clientes quando voltarem para o retoque, detalhe tudo na ficha, tenha um verdadeiro dossiê destas pessoas e em pouco, pouquíssimo tempo você terá em mãos um rico e exclusivo material de estudo e portfólio suficiente para poder agir em todas as situações a você apresentadas.

Espero poder ter ajudado!
Beijo.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Por onde começar?

Ouço e leio muito essa pergunta, e esta é a dúvida que aflige muitas pessoas que querem iniciar na carreira de micropigmentador e não sabem por onde começar.

A experiência me mostra que uma base sólida é a melhor maneira, sem dúvida. 

Primeiro porque passei pelo que muitas passam, comecei por necessidade, auto didata e fui me aperfeiçoando ao longo do tempo, a medida que ganhava meu suado dinheirinho. 

- Uma vez vi num vídeo, um rapaz que dizia que deveríamos guardar 40% de tudo o que ganhávamos trabalhando para REINVESTIR em nosso próprio negócio - 

O meu "próprio negócio" sempre fui eu, minha profissão - MANICURE - 

Foi assim que comecei, trabalhei em um salão lavando cabelo, limpando o chão, enchendo pote de creme, dobrando toalhas, aí fui lixando unha para as outras manicures, os pés, esmaltando, enfim, fui pegando aos poucos os macetes da profissão que me fez o que sou hoje. 
Passei por diversos salões, até que em dezembro de 2013 comprei minha motoca, na época uma Honda Biz preta fosca que eu amava e fui fazer unha de casa em casa, literalmente "atrás"de cliente. 
Eu não negava uma, absolutamente! Pelo contrário, quanto mais, melhor. 
Eu acordava ás 7 e ia dormir meia noite. Atendia em dia de chuva, frio, sol, com dor, sem dor. 
Almoçava na rua ou as vezes nem almoçava. 
Lidei com todo tipo de pessoa, todo perfil de cliente. 
Aquelas muito queridas, que me presenteavam com mimos, chocolates, esmaltes, gorjetas e carinho. 
Até aquelas que mal me olhavam, me faziam esperar na lavanderia, não me ofereciam nem copo dágua e claro, as nó cegas, que faziam de tudo e no final não me pegavam. 
Toda essa carga de experiência me fez ver que eu poderia ser o que quisesse e só caberia a mim impor limites. Pois assim fiz! Nunca me limitei, pelo contrário, sempre quis ir além, ser melhor, a melhor manicure, a manicure mais FODA que eu pudesse ser. E fui, viu?! 
Todos que fizeram unha comigo são prova disso, eu era excelente no meu trabalho, era de fato, um atendimento impecável. 
Eu levava toalhas limpas, alicates esterilizados, embalados, luvinhas e botinhas descartáveis, tinha todo tipo de películas e decoração que eu colocava nas unhas e além de tudo, muuuuuuito esmalte, muita novidade. Eu ficava ligada nos lançamentos e sempre tinha tudo a mão para minhas clientes maravilhosas. Sim, eu as chamava assim, pois eram elas quem pagavam o meu salário, que me faziam acreditar em mim. 
Sempre mantive uma relação de muita honestidade com elas e sempre digo isso as minhas alunas, humildade e honestidade SEMPRE e PRA SEMPRE. 
Essas virtudes são fundamentais para o sucesso de qualquer pessoa. 
Eu sempre dizia a verdade, quando alguém me ligava e eu não estava a fim de atender eu dizia: - Olha, eu não quero sair de casa, tô triste por iss, isso e isso, você me perdoa se eu não for? 
Elas respondiam: - melhoras Ana, vai ficar tudo bem!
É claro que isso não era frequente, eu não deixava minhas clientes na mão, claro que não! Estou dando exemplo do que eu fazia quando algo assim acontecia.

Você que espera mudar de vida no ramo da beleza, tenha em mente uma coisa: você precisa ser paciente, resignado e resiliente.
Aos poucos vai dando certo. Eu juro! 

Hoje olho com orgulho para minha trajetória, eu sou feliz sendo a pessoa que sou e tento solidez na carreira que construi. 
Comece perguntando a si mesmo(a) o quanto está disposto(a) a mudar e suportar esta mudança. 
Você precisa entender que um dia vai ser tudo incrível, as pessoas vão elogiar o seu trabalho, dizer que amou e no outro detestar, falar mal e é assim que é, infelizmente. 
Não agradamos a todos e gosto é muito particular. 
Meu pai diz sempre: - Uns gostam dos zóio, outros da remela. 
Demorei um tempo pra entender e suportar as criticas, mas depois que isso aconteceu, me tornei uma pessoa/profissional muito melhor. 

A dica que eu te dou é: se você quer, acredite e busque este sonho, esta meta. 
Estabeleça pequenos objetivos diários, semanais, mensais, anuais e assim vai. 

Eu fazia assim: 

Trabalhava só com esmaltes da colorama, risque, marcas populares brasileiras e sonhava com Revlon, O.P.I, Mavala, essas coisas. 
Eu coloquei assim numa agendinha: 1 esmalte Revlon por semana. Pode parecer bobo e pouco, mas em 6 meses eu já tinha 24 esmaltes importados e cheio de estilo. 
Depois eu quis 1 da O.P.I por mês, (estes eram mais caros). Em um ano eu tinha 16, porque comprei 2 em 2 meses seguidos. 
Tempo se passou e eu ia repondo essas marcas, comprando outras cores e no fim da minha carreira de manicure eu tinha mais de 400 esmaltes, de todas as marcas que vocês podem imaginar. 
Eu amava meus esmaltes, eram meu xodó. Me desfiz deles presenteando várias manicures que conheço e doando outros, outros endureceram, enfim. Foi difícil pra mim, juro!
Com os alicates era da mesma forma, eu terminei a carreira com 35 alicates da Mundial, inox, cabo longo, o mais caro e melhor para manicures. Hoje em casa, tenho 6, ainda desta época. 

Com minhas pequenas metas diárias, me tornei Ana Tebori, especialista em Microblading, uma técnica advinda do Tebori, arte milenar que induz pigmentos na pele de forma manual, com o "takê" uma ferramenta originalmente feita de bambu, mas hoje aprimorada para vários outros materiais, o mais comum, aço inox. Com anos de estudo, vários cursos e muito empenho, hoje ensino o que sei na minha escola, em Maringá, no Paraná e viajo o país com meus ensinamentos. 

No ano de 2018 realizei o meu maior sonho, ter o meu salão de beleza. 
Junto com minha irmã, compramos um simplesinho, mas nosso, com nossa cara e nosso amor. 

Não sei o que os próximos anos me reservam, mas sei como vou agir em todos eles, pro resto da minha vida. Com HUMILDADE E HONESTIDADE SEMPRE. 

Um beijo pra você que leu até aqui, espero ter ajudado de alguma forma! 
Minha cutícula 

Minhas clientes

minhas clientes

minha motinha 




Primeira ida ao Rio de Janeiro

Minha primeira Aluna

 Minha primeira turma 3 alunas

Meus treinos antigos

Meu primeiro kit de design