quinta-feira, 8 de junho de 2023

 


Estou há dias tentando escrever algo sobre tudo o que a micropigmentação se tornou, sem me alongar muito, mas não vai ter jeito, o texto ficou longo e a quem interessar possa, que leia e interprete como quiser. De alguma forma isso vai ajudar você a entender pelo meu prisma, o que penso a respeito do futuro do nosso trabalho. Então, boa leitura. 



A Micropigmentação no Brasil vive hoje seu auge, seja no sentido técnico, comercial ou científico. Ganhou status de altíssimo luxo com toda a glamourização, ostentação e pompa a seu redor. Tudo rosa e dourado, jalecos de médico, coachings de "como lotar sua agenda" sem nem ao menos ter a própria agenda lotada.
Em contrapartida, nunca se ouviu falar antes de tanta tecnologia; dermógrafos dos mais variados tipos e valores, analógicos, digitais, computadorizados, alguns custando mais do que um carro popular; máquinas de tatuagem moderníssimas; indutores manuais para uso em procedimentos variados; diversos tipos e composições de agulhas, até então já utilizadas há anos pelos tatuadores e, finalmente, sendo utilizadas também pelos micropigmentadores, como por exemplo: RI, RS, RM, E, M1, etc. Algumas com extrema precisão no formato das pontas, extra long tapper, long tapper, médium tapper, etc.

Tudo isso era inimaginável a até poucos anos atrás. Tintas com formulações específicas, texturas, cores, misturas e bases variadas, indicadas para vários tipos de aplicações. Alta tecnologia até mesmo na fabricação das embalagens, que hoje vêm com lacres especiais que mantém a esterilidade do insumo, etc. Tudo isso aconteceu graças à globalização,excesso de informação, redes sociais pipocando com uma infinidade de vídeos e fotos. Tudo o que você precisa saber, ao alcance das suas mãos. 


Na vida tudo tem um lado positivo e negativo, dependendo sempre do prisma em que se olha, e também dos interesses envolvidos - GUARDE ESTA INFORMAÇÃO, ELA VAI SER IMPORTANTE LÁ NA FRENTE. 

Pessoas foram atraídas, algumas boas e outras nem tanto. Cresce, então, a concorrência que, ao meu ver, é extremamente saudável. É indispensável para manter a qualidade dos serviços, pois os profissionais se especializam cada vez mais, evoluem e superam os acomodados, e os acomodados têm que sair da sua zona de conforto, se especializarem e evoluírem também. Nesta roda que não para de girar, todos ganham, inclusive nossos clientes, consumidores finais de nossos serviços.


Com esta facilidade em obter informações, algumas clientes já chegam em nossos estúdios sabendo o que querem, e algumas sabendo o que é legal ou ilegal, proibido ou autorizado, conhecend inclusive, nomes de técnicas, e entendendo a diferença de cada uma delas. 

O comércio ficou muito feroz e a concorrência acirrada. A ganância ultrapassa todos os limites e o marketing é implacável e voraz. Propaganda, propaganda, vender, vender, e vender. Ahh, porque esta técnica é melhor, esta é mais moderna, esta agride menos, enfim. O marketing se expressa como um rolo compressor desgovernado morro abaixo; o dinheiro fala mais alto do que qualquer respeito à vida e à saúde dos outros. Muitos não se importam com o que vendem, pois o que importa é vender, vender muito, custe o que custar e doa a quem doer.

Do que este mercado implacável se alimenta? Dos novos e inexperientes profissionais e daqueles que já tem experiência, mas estão acomodados. Aqueles que veem profissionais postando nas redes sociais seus trabalhos maravilhosos e, no mesmo segundo, já perguntam: "Qual o pigmento?" "Qual o dermógrafo?". "Qual agulha?". "Você dá curso?"

Ao fazer este tipo de pergunta, este profissional ainda "inocente" já mostra que está receptivo para comprar o que for oferecido e acredita que se comprar o mesmo dermógrafo ou pigmento vai fazer aquele trabalho da mesma forma.

Esta é a deixa que é usada para quem quer oferecer o "faça fácil". E aí entra a frase "todo dia sai um trouxa e um esperto de casa". Lamentavelmente, durante a busca por um bom curso ou especialização, não se vê perguntas do tipo: "Qual a sua qualificação profissional?",  "Possui pelo menos 5 anos de trabalho direcionados a micropigmentação?". “Quantos atendimentos já fez ?”, "Possui uma escola montada com CNPJ e Alvará de Funcionamento que tenha uma estrutura física para fazer todo treinamento necessário?"

Ensinar não é só uma arte ou um processo pedagógico, é uma forma de passar conhecimento, vivência; e para fazer isto não basta apenas saber o que vai ou deve ensinar, mas ter suas próprias experiências. Este é o fator primordial para conseguir responder todas as dúvidas de quem quer aprender. Como se faz, de fato, um MENTOR, cujo todo mundo se auto denomina hoje em dia. MENTORIA X, MENTORIA Y, MENTORIA H. 

Então, como ensinar sem ter a experiência e a vivência necessárias ditadas pelo tempo e dedicação? Quem tem mais experiência, exatamente por isto, tem grande admiração pelos novos profissionais que vêm surgindo no mercado com trabalhos de tanta qualidade e beleza. Porém, não serão estes atributos que os tornarão professores capacitados.

Outras perguntas que deveriam ser feitas por quem procura uma especialização nesta área se refere ao domínio da colorimetria e estudos de casos pós cicatrização ao longo dos anos. Saber como esta tinta vai reagir mesmo após anos de aplicação na pele, eleva consideravelmente o nível profissional do micropigmentador. É nítida a facilidade de quem entende do riscado. É intuitivo para quem estudou, olhar um rosto, uma pele, mesmo que em fotografias e identificar quais cores são indicadas para cada técnica, seja sobrancelha, lábios ou delineado. É fundamental o estudo das tintas, pois estas serão implantadas dentro do corpo da cliente e se manterão em contato por muitos anos, em alguns casos, pelo RESTO da vida! A importância neste caso, é o fato de haver um contato tão íntimo e direto deste material com o corpo humano, que te faz ter que prever algumas intercorrências, como estas que cito abaixo. 


Fator 1 - Degradação da cor - ( para ser mais didática, vou usar o sinonimo da palavra DEGRADAR, que é DESTRUIR).

Então, neste caso, a destruição da cor, a qual me refiro, pode ser pelo tempo, pelo sol, por uma possível cicatriz.

Fator 2 - Esmaecimento - Ou seja, CLAREAR a cor ao longo do tempo. 

Fator 3 - Cor fantasia - Essa cor ao longo do tempo vai se transformando em outra. Aquela velha história de ir ficando a cor que tem mais potência. Se for verde, fica verde, se for laranja, fica laranja, se for cinza, fica cinza e assim sucessivamente. 


Entender a composição de cada pigmento, base veicular e todos os componentes da tinta que é o produto final, é de extrema importância e de interesse direto à saúde. E com base nessa premissa, você que se interessar por estudar, vai conseguir explicar, instruir e, para além disso, RESOLVER qualquer uma dessas possíveis intercorrências. 

Então vamos imaginar o cenário onde a cliente, depois 2..3 anos, chega triste e descontente ao seu ateliê com um trabalho seu no rosto e te pede ajuda com a remoção. Por muitas vezes isto aconteceu comigo e eu não soube como agir, hoje te digo, com conhecimento de causa, vivência e experiência que, quando uma cliente me pede ajuda para, de alguma maneira, "consertar" algo que eu fiz, mesmo que de forma inocente, eu ofereço 1 ou mais saídas, como por exemplo: back to brown = voltar para o marrom, no caso de cores fantasias. É a primeira coisa que ofereço se o problema for exclusivamente a cor e não formato e cor. Caso ela queira apenas REFORÇAR a cor, também consigo. Caso ela queira mudar o formato, também consigo, tanto com técnicas de clareamento de bordas, inícios, pontos altos e caudas, quanto com camuflagens e despigmentação. 

No próximo ano, 2024, completo 10 anos sendo micropigmentadora, 9 deles ensinando, estudando e sendo reconhecida nacionalmente pelo meu trabalho, pelos meus estudos e minha contribuição para elevar o nível da microgpimentação no Brasil, que, repito neste texto, não é elevar preços, mas sim, nível técnico, de estudos e análises de casos para que possamos cada vez mais minimizar as possibilidades de erros na execução das técnicas. 

Por isso, é imprescindível nos atentarmos ao fato de que existem leis sanitárias vigentes e que precisam ser respeitadas, tanto no que diz respeito aos materiais que usamos, a forma como os descartamos, a forma que atendemos as clientes e, para além disso, a maneira que nos portamos diante delas.
É comum hoje, vermos profissionais de cabelos soltos, sem máscara ou com máscara plástica, que é PROIBIDA pela ANVISA e feita para uso EXCLUSIVO na cozinha para evitar perdigotos nos alimentos, assim como as luvas de VINIL que não protegem NADA contra contaminação e TAMBÉM são proibidas para esta finalidade e basta uma rápida pesquisa e você descobre por quais motivos não deve usar nenhum destes dois.

O uso de jaleco bonitinho, impecável também é um completo e absoluto erro, pelo mesmo motivo. Utiliza-se o mesmo jaleco durante 1..2 semanas, talvez meses. Ao inves disso, opte por roupas leves e um jaleco descartável. É importante que você agregue todos estes CUSTOS ao valor do seu atendimento. Sua cliente vai entender lá na frente, o porque está pagando o seu preço. Isso sim, te elevará de nível e não um café com bordas de nutella ou desenhar uma simulação em um tablet. A cliente espera o resultado final, aquele que ela vê nas suas fotos do instagram, ela não se interessa pelo processo, tampouco pelo café com borda de nutella. Ela busca a beleza de forma rápida, eficaz, muitas vezes indolor, mas SEMPRE sem riscos! Entende onde quero chegar ? Nenhuma pessoa no mundo, vai te dar o aval de fazer as coisas "mal feitas" mesmo que sejam baratas. Você não vai ouvir de ninguém, absolutamente ninguém um "faz sem luvas mesmo",  quando você disser: - Não vou fazer suas sobrancelhas hoje, porque minhas luvas acabaram" 
E lamento em te informar que, caso isso aconteça e a pessoa ACEITE fazer mesmo assim, você chegou no pior nível, aquele onde o medíocre mora. 


Lembrando que o egocentrismo não nos permite nos colocarmos no lugar do outro, cuidado!
Existem alguns princípios básicos que eu, ao longo destes 10 anos, percebi serem fundamentais para desempenhar um bom papel na minha profissão de micropigmentadora. 

Começo, sem medo de errar, com a ética profissional, que eu prefiro chamar aqui, de HONESTIDADE. 


Em todas as vezes que eu optei por ser honesta, em nenhuma delas eu me arrependi, sempre que eu agi com ética e expliquei de forma detalhada para a cliente o que iria acontecer ou o que aconteceu, tive uma devolutiva positiva. Às vezes com um pedido de ajuda, no sentido de "Então Ana, o que posso fazer para resolver o meu problema", às vezes com um "Ana, obrigada por me dizer isso, já passei por X profissionais e ninguém me alertou dos riscos"
Esta foi a maneira que escolhi viver a minha vida profissional. 


Outra parte importante e foi a mais abordada neste texto, aliás, foi por isso que eu o escrevi, é o ESTUDO. 

Sem dúvida alguma foi o estudo que me libertou. SABER me faz sentir segurança para AGIR.

Tanto no que diz respeito aos procedimentos que executo ou as aulas e mentorias que dou. 

Nos momentos em que tenho dúvida, recorro aos livros, aos estudos científicos, muitas vezes em outros idiomas, para só depois explicar ou responder alguma dúvida de clientes ou alunas. 


Estudar me fez entender que eu sou a parte FUNDAMENTAL do processo. 

EU quem vou dominar a colorimetria. 

EU quem vou dominar a máquina, o indutor. 

Porque sou EU, quem vai treinar, treinar e treinar. 

Sou EU e somente EU a responsável por absolutamente TUDO o que vai acontecer, desde a hora que a cliente deita em minha maca, até a hora que ela sai. A partir do momento que ela sai, e só a partir DESTE momento ela se torna responsável pelos cuidados pós e nada mais. 

Não é honesto atribuir nenhuma intercorrência à cliente, se não foi culpa da cliente.
Ouço muitas desculpas, as mais diversas e esfarrapadas das alunas, em que elas relatam que a cliente foi culpada por fios falharem, por fazer cascas grossas, por clarear rápido demais e tantas outras. 

Porém, a autocrítica fica fora do jogo, completamente fora do jogo. É muito duro, (eu sei, eu já estive neste lugar) admitir que erramos. E sabemos quando erramos. 

Se fez uma casca muito grossa, machucou! E como machucou ? Injúria demais! Ou seja ? Muitas passadas de dermógrafo ou tebori. 

Ahh, mas ficou cinza, a cliente foi no sol demais. Será ? Será mesmo que não foi você quem errou na escolha do orgânico ou inorgânico, na escolha do indutor ? do número de agulhas ou pesou a mão? 


Sempre que você cair neste limbo de pensar se foi culpa sua ou do pigmento, do dermógrafo, do tebori. 

Lembre-se que, dos 3, você é o ser pensante, você quem produz raciocínio lógico, você é o inteligente no frigir dos ovos, a culpa é sua e não do pigmento que foi ESCOLHIDO por você, nem do dermógrafo que VOCÊ comprou.

Canso de receber as mais diversas reclamações de alunas que não obtiveram resultados positivos e depositam toda a culpa nos suprimentos, ao invés de nelas mesmas. Porque é infinitamente mais fácil, porque, repito, a autocrítica é difícil e rara, mas quando acontece acordamos para uma realidade onde o que vale é o treino e a dedicação. A constância é o que vai te levar ao êxito e a conta não fecha se não houver empenho pessoal e intransferível, o que significa que, só VOCÊ pode fazer por você, só você é capaz de evoluir e tão somente você será responsável por colher os frutos desta caminhada. Agora, a escolha é sua, se eles serão bons frutos ou não. 

Espero mesmo que você consiga entender o quão incrível é esta jornada, desde que você a faça de forma ilibada. 


Te desejo sorte nas suas escolhas, te desejo leveza para estudar, te desejo tempo para se dedicar, mas para além disso tudo, desejo que você siga seus objetivos, sejam eles quais forem. Você pode tudo, porque você é CAPAZ!


Com amor, Ana. 


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